Maçãzinhas


Foto gentilmente cedida por: José Isidro Puga Lobo

O centro das Festas Nicolinas e realiza-se sempre na tarde do dia 6 de Dezembro.

As Maçãzinhas são um número que uma vez mais envolve um cortejo, este de carros alegóricos, de onde saem os estudantes empunhando uma lança materializada por uma ponta em metal com motivos trabalhados, enfeitada com várias fitas oferecidas por amigas e namoradas e colocada na ponta de uma cana, onde se enfiam as pequenas maçãs para oferecer às donzelas que esperam nas sacadas e que retribuem colocando na ponta da lança pequenos presentes.
A origem deste número é especulativa podendo evocar-se o movimento romântico que atravessou a Europa nos fins do séc. XVIII e no séc. XIX que apelava ao sentimentalismo e ao regresso à medievalidade, à adoração da pessoa amada. De origem medieval eram os torneios e justas que foram substituídos pelas cavalhadas, estas ligadas ao povo e que não eram mais que jogos de destreza a pé ou a cavalo, que recorriam, por vezes, a paus e lanças. Outra das raízes que se poderá evocar é a das "cerimónias de triunfo" de Roma que chegaram à idade média e que faziam uso de um desfile de carros alegóricos.
Ao que se sabe este número existe desde a terceira década do século passado, sempre realizado no dia 6 de Dezembro, dia de S. Nicolau e teve variações na sua hora de saída, desde a manhã até ao princípio da tarde, que é altura em que se fixou nos dias de hoje.
O atual cortejo das Maçãzinhas é um resquício do costume em partilhar com o povo as maçãs que faziam parte do famoso legado da colegiada.
O cortejo era quase sempre imponente, constituído por carros alegóricos e estudantes trajados a rigor. Os motivos presentes eram a cultura clássica e a mitologia greco-romana conhecida pelos participantes pois fazia parte dos currículos escolares. O guarda-roupa e os adereços eram previstos com todo o rigor, às vezes com fatos alugados para a ocasião vindos do Porto ou de Lisboa. Participavam neste cortejo novos e velhos Nicolinos e a abrilhantar o préstito seguia, uma vez mais, a habitual banda de música.
As fitas que pendem das lanças são oferta feminina e ostentam, muitas vezes, inscrições bordadas ou pintadas e dedicatórias muito especiais. O destaque principal vai para a fita do laço, aquela que, sendo a mais comprida, envolve as demais. Era oferecida pela namorada ou por aquela que tendo um lugar muito especial no coração do estudante recebe a primeira maçã, a mais coradinha delas.
As damas vestindo como num dia de festa esperavam pelos estudantes nas janelas e sacadas (e relembre-se como antigamente era difícil o contacto aberto entre os jovens de ambos os sexos...) recolhendo as pequenas maçãs e retribuindo com pequenas ofertas: cigarreiras, cigarros, chocolates, garrafinhas, bugigangas, botões de punho, gravatas, livros, canetas, pisa-papéis, entre outras.
O cortejo tinha início na casa da renda em Urgeses, seguindo pela Cruz de Pedra até ao Toural onde se concentravam as donzelas. Hoje o seu destino final é a Praça de S. Tiago, coração do centro histórico de Guimarães.

 

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